23.11.11

O (in) conveniente combate à criminalidade



Temos visto desde o início do ano as ofensivas do Estado nas favelas do Rio de Janeiro. A iminência da Copa do Mundo e, logo após, as Olimpíadas motivaram os governantes a darem uma resposta ao mundo diante das indagações a respeito da viabilidade de se realizar eventos desse porte na Cidade Maravilhosa, que sofre a décadas com uma gama de mazelas sociais, especialmente com a segurança pública.

As primeiras invasões, com destaque para a do Complexo do Alemão, e agora, de forma triunfante, na Rocinha, não apenas trazem alegria ao povo brasileiro em geral como também nos deixa com aquela sensação de que, de alguma forma, somos engabelados pelas autoridades públicas. A captura do traficante “Nem”, do modo como ocorreu, entregue de bandeja à polícia, escondido no porta-malas de um carro, literalmente dentro de uma mala, não revelam outra coisa senão a de que, em as autoridades querendo, elas conseguem extirpar em curto prazo quaisquer dessas organizações criminosas.

Conquanto os problemas do Rio sejam famosos internacionalmente, outras cidades do Brasil, como São Paulo, sofrem com a criminalidade e dominação de áreas periféricas por traficantes. Contudo, diferente do que se vê agora no Rio, parece não haver bons motivos para um enfrentamento sério e duro dos marginais. Não é conveniente, por isso não é urgente!

Ora, logo que a polícia ocupou a Rocinha teve que entrar também com outros serviços prestados pelo Estado. Isso significa que o ônus não fora apenas em mobilizar e efetuar a invasão, prevendo, além disso, a permanência da polícia, mas também o de investir na prestação dos serviços básicos prestados pelos municípios aos seus cidadãos. Ou seja, saem os traficantes, desmorona-se o “governo paralelo” e logo o Estado precisa entrar de fato e de direito – porém também com muitos deveres.

Os deveres do Estado, talvez sejam eles o grande empecilho para a atuação das autoridades nas favelas desse Brasil. Todo bônus tem seu ônus, já diziam um amigo meu, e nesse caso, a pacificação das favelas e desmantelamento do tráfico de drogas e armas não será nem fácil nem barato. O ônus será grande, mas se houver interesse, a recompensa social também poderá ser significativa, apenas não imediata! 

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