16.3.12

Sustentabilidade, uma questão de gratidão


Fico pensando seriamente em como seria possível gerar consciência ambiental e fomentar reflexões sobre sustentabilidade em uma sociedade intelectualmente tão precária, tão desguarnecida de aparatos educacionais e tão impregnada pela ética egoísta do mercado de consumo.

Não cesso de pensar sobre essas coisas, mas elas me veem à mente sobretudo quando estou na rua, no metrô, na estação de trem ou no ponto de ônibus. Nas aglomerações do dia a dia é que podemos perceber como é o perfil comportamental de um povo. E isso muito pode nos esclarecer a seu respeito.

Embora já tenha vivido em outros lugares do Brasil, no Sul de Minas, no interior e na capital de Mato Grosso, não consigo recordar de um lugar mais sujo e desordeiro que São Paulo. Basta eu botar a cara fora de casa para ver pessoas, bem vestidas, mal vestidas, de baixa renda, de alta renda, “pecando” em coisas tão mínimas como jogar o cigarro no chão, o papel de bala na calçada ou pedaços de embalagem de um chocolate dentro do metrô.

Daí o desânimo me toma por alguns minutos. Questiono minha parca e incipiente militância nas questões políticas e ambientais. Fico matutando se de fato alguns de meus amigos mais céticos (e também mais acomodados) não têm realmente razão: “não adianta fazer nada, nada vai mudar!”.

Mas graças a Deus, meu ânimo inconformado e espírito agitado logo volta a me perturbar. Meus pensamentos fervilham, penso e repenso. Dispenso o conselho dos inertes e tento não ceder à tentação do comodismo imobilizador. De fato, uma mente saudável e um coração cheio de vida não precisam realmente trabalhar com vista em resultados garantidos. Numa metáfora futebolística “a la Lula”, a esperança mora justamente entre aqueles que resolvem entrar em campo  quando todos já dão por certo a derrota.

De fato, pode bem ser que separar o lixo para a coleta seletiva, guardar o óleo de frituras para levá-lo a postos de recolhimento, reutilizar objetos antes descartados na primeira oportunidade, postar notícias sobre marchas e eventos contra os abusos políticos em blogs e mídias sociais não diminua a poluição e a sujeira da cidade, nem terá grande eficácia diante do desmatamento de nossas florestas ou mesmo mudará a concepção que a maioria das pessoas tem quanto à vida comunitária. Eu reconheço isso!

Entretanto, penso ser melhor estar do lado de uma causa sabidamente justa, honrosa e que, se formos sinceros, não requer de nós tantos esforços assim, do que me entregar folgadamente ao deleite displicente desse planeta maravilhoso sem buscar com mínimas ações mostrar algum tipo de gratidão a Deus por tê-lo concedido a nós.

E se você for um ateu, não tem a figura de um Deus pessoal a quem direcionar suas ações de graça, dirija-as à própria Terra. Afinal, a cada dia que passa, conseguimos enxergá-la mais claramente como um imenso organismo vivo do qual fazemos parte nesse sistema solar. Com esse raciocínio, imagino que ninguém ficará parado por falta de gratidão! Todos, de uma forma ou de outra, podemos ser gratos pelo que temos em nossas mãos, e para manifestar essa satisfação, bastam pequenas atitudes cotidianas. Será que é pedir muito?

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