18.6.13

A ressurreição da Esperança




A esperança é paradoxal. Não é nem uma espera passiva nem um forçar irreal de circunstâncias que não podem ocorrer. É como um tigre agachado que só saltará quando chegar o momento de saltar. 

Erich Fromm, A revolução da Esperança

Existe uma coisa mais poderosa que todos os exércitos: uma ideia cujo tempo é chegado.
Victor Hugo 

Os protestos ocorridos nos últimos dias, iniciados em São Paulo e agora espalhados pelo Brasil, mostram que a depressão política que pairava pelo coração de um sem-número de cidadãos parece estar se retirando. Dá lugar agora há esperança. Essa que muitos dizem ser a última que morre e que, talvez exatamente nesse momento, possamos dizer que também sempre torna a ressurgir.

Não apenas estávamos dormindo, estávamos adoecidos de tanto abatimento. Exaustos pela sensação de remar sem poder chegar a lugar algum. Assim, tomados de profunda desconfiança a respeito da política partidária, esse abatimento não apenas enterrou muitos sonhos e anseios populares como fez com que a maioria de nós rejeitasse qualquer ligação com a palavra “política” e suas variantes.

Contudo, no fundo de nossas almas, sabíamos que não há como se ausentar da política. Até porque “os ausentes nunca têm razão”. Precisávamos apenas de uma centelha de vida, uma pequena fagulha que viesse a reacender as chamas da esperança em nossos corações. A luta do Movimento Passe Livre contra o aumento das tarifas do transporte público, objetivando, além disso, a reavaliação desse serviço em nosso país, fez soprar um vento forte que espalhou fogo por toda parte, acendendo verdadeiras chamas vivas.

De agora em diante, a comoção geral – apresentada até mesmo pela mídia interesseira –, e notada pela aprovação dos atos dos manifestantes por um grande número de pessoas em redes sociais e nas ruas, faz-nos acreditar que podemos muito mais. Tanto assim que não apenas a melhoria do transporte tem sido cobrada, mas também os gastos com a Copa do Mundo e a falta de investimento na educação, por exemplo, são importantes bandeiras levantadas neste momento.

Há quem diga que isso pode desintegrar a militância, favorecendo a dispersão do movimento e consequente enfraquecimento da causa. Não penso assim, o símbolo primordial continua sendo o transporte, mas o ânimo provocado é o de que não devemos sonhar pequeno. E, de fato, não podemos!

Não sabemos bem onde tudo isso pode terminar, porém temos uma leve noção de que os resultados iniciais, como a repercussão internacional, fazendo que o mundo saiba que não estamos tão felizes por sediar uma Copa e as Olimpíadas porque preferíamos serviços públicos de qualidade ao invés destes, podem gerar frutos inesperados. De modo especial, passa a ser viável um novo entusiasmo com as futuras eleições.

Não tão distantes e em ano de Copa, com os protestos que assistimos agora podemos esperar que as eleições não sejam ofuscadas pelo brilho do futebol. E creio profundamente que não o serão, até porque a grande massa do povo brasileiro não teria possibilidade alguma de comprar um dos caros ingressos a fim de poder participar do menos importante dentre os concorridíssimos jogos da Copa. Em outras palavras, o evento será para gente de grana.

Assim, podemos esperar que o povão, a massa insatisfeita e muitas vezes esquecida, entre um jogo e outro da seleção brasileira, possa reinvindicar os mesmos investimentos feitos em torno do futebol para nossas comunidades em cada canto desse país.

Passo a passo, devagar mas constante, caminhando, cantando e gritando em voz alta para que o mundo ouça, tomados pelo vírus da esperança que ressurgiu mais uma vez em nosso coração, prossigamos nas ruas, becos e vielas requerendo o que é nosso por direito, desde os R$ 0,20 centavos às outras melhorias que nos são devidas desde há muito tempo.

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