10.7.13

A questão dos médicos estrangeiros

Se por um lado os médicos brasileiros reclamam da situação precária das Unidades de Saúde no interiorzão do país, a população desses locais remotos reclamam a necessidade de assistência básica e ausência de profissionais da saúde. Já o governo, agora pressionado pelas manifestações de rua, apresenta como solução a importação de médicos estrangeiros a fim de atuarem nesses locais. Onde supostamente nossos conterrâneos não se dispõem a estar devido as boas oportunidades nas regiões mais povoadas e desenvolvidas. 

Ora, as cartas estão na mesa. A verdade não me parece totalmente nem desse lado nem daquele. De fato, a classe médica goza no Brasil de um status quase inigualável. Muitos deles, de fato, sustentam um discurso ensimesmado fundamentado nos anos de estudo aos quais se dedicaram (ou se dedicam) a fim de justificar os altos salários e o pedestal que ocupam na sociedade. 

Não obstante, têm razão, o SUS está em estado de falência. Não é necessário viver em comunidades longínquas dos grandes centros urbanos para saber que não é nada agradável depender do nosso sistema público de saúde. Sempre falta algo, quando não são os profissionais, são instrumentos técnicos sem os quais determinados procedimentos não podem ser realizados. Grupos inteiros de pessoas carecendo de atendimento esperam horas nas filas dos Hospitais – isso quando se tratam de casos ditos urgentes. Já em casos passíveis de maior espera, meses e meses (às vezes um ano e pouco) são necessários para se conseguir estar diante de um médico para então ser tratado. 

O lamentável disso tudo é que saúde é quase sempre urgente. Por mais inevitável que seja a triagem realizada nesses hospitais, cada paciente está com a expectativa de resolver seu caso o mais rápido possível. Afinal, saúde só não é urgente quando não é conosco. No mais, o mais simples procedimento gera apreensão e ansiedade. 

Assim sendo, espero que a classe médica brasileira continue lutando por seu espaço, por condições dignas de trabalho a fim de poderem atender o melhor possível cada paciente. Mas também espero que o governo concretiza sua ofensiva no sentido de mitigar as carências existentes nessa área. Trazendo ou não médicos de fora, que invista em infraestrutura, ofereça bons salários e pagamentos em dia, além de buscar o constante desenvolvimento desse setor profundamente importante para o estado de bem-estar integral de nossos cidadãos. 

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