27.7.13

Francisco é pop

Se o Papa é pop porque é do povo ou apenas porque é poser (aparência), não se sabe. Afinal, como falar acerca do íntimo do coração humano? Uma coisa é certa, pelo histórico não tão recente de Francisco (isto é, desde quando era Cardeal em Buenos Aires), o Papa é povo.

E para o povo, é isso que importa. Mas não só o povo se agrada, além da “geral”, muita gente interessante aposta suas fichas no Sumo Pontífice. Alguns dentre a velha guarda dos Teólogos da Libertação no Brasil, por exemplo, não se cansam de demonstrar seu agrado com determinadas posturas adotadas por Francisco.

O mundo está tão carente de bons exemplos, de mantenedores de utopias, que até gente do escalão de Leonardo Boff e Frei Betto deve se sentir sedenta por uma chama de esperança. E muitos têm visto, de fato, uma chama nascer no pontificado do Papa argentino – ainda pequena demais, diriam os mais exigentes!

O interessante são alguns gestos. Francisco parece ter disposição para dialogar com outras religiões, aliás, mostra-se terno e afável com os de outras confissões. Busca sempre honrar o nome que escolheu por meio de escolhas simples. E em seus discursos, não se furta em apontar para a pobreza como sendo resultado do egoísmo, que é uma das causas das injustiças sociais no mundo.

As perguntas que ficam, obviamente, é se haverá alguma reorientação teológica oficial para a Igreja de Roma em seu pontificado? Isto é, que extrapole os sinais particulares do Papa. O Papa que trata a si próprio como Bispo de Roma (o que choca os mais conservadores da instituição) dará passos em relação a uma teologia francamente ecumênica? Como ficará o diálogo formal da Santa Sé com as confissões não-cristãs?

Isso para se tocar em pontos suaves, pois ainda existem as reivindicações de algumas vozes “minoritárias” do catolicismo. Que possuem outras demandas. O celibato, ao menos poderá ser discutido? O papel das mulheres na Igreja, em outras palavras, a ordenação feminina; teremos algum avanço? E o que dizer da situação dos homossexuais?

Enfim, são as questões da hora e, com a abertura que Francisco tem aparentado dar em relação ao tempo presente, dificilmente poderá se esquivar delas. Afinal, sabemos, o “pop não poupa ninguém”. 

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