21.8.13

"Nossos sonhos não cabem em suas urnas"

Essa frase, muito vista nos protestos na Espanha há poucos anos, talvez seja a que melhor explica o que é muito difícil de ser explicado: as manifestações de junho no Brasil.

Não é segredo em nenhuma parte do mundo que a Internet tem mudado a vida das pessoas. Muda as formas de relacionamento, agiliza as relações comerciais, deixa mais expostas, mesmo que a contragosto, as ações dos governos, quebra ou fragiliza antigos impérios das comunicações e coloca em seu lugar empresas “descoladas” mais com a cara da juventude (mesmo que isso possa trazer, no futuro, impactos negativos na forma de uma concentração da informação nas mãos de poucas empresas, como Google e Facebook, e sua circulação apenas entre o público que acessa a rede).

Tudo, tudo mudou e, como defenderam Castells, Carlos Nepomuceno, Marina Silva e tantos outros – por que a Política não mudaria? Castells já indicava, há algum tempo, um aceleramento da crise de representatividade. Cada vez mais os representantes (líderes políticos) passaram a se autorrepresentar como classe, e a não mais representar suas bases.

Talvez até isso tenha sido uma regra geral para toda a história da política partidária, com raros momentos de exceção, já que a tendência dos partidos, que ainda são, mesmo em crise, a principal forma de participação nas decisões do futuro das pessoas, é a de representar a sua elite dirigente.

Cabe aqui uma interrupção no pensamento para desmitificar, tal qual já fez Frei Betto, a ideia de que não existe política sem partidos. Tal lógica, defendida geralmente por quem pertence organicamente a esses grupos organizados, talvez seja a principal fonte de irritação de parte dos manifestantes, que não reconhecem nas formas de participação tradicional a possibilidade de avanço nas pautas de inclusão. Qualquer curso básico de história ensina que a democracia, em sua origem, na Grécia, não contava com partidos políticos, e que sua invenção foi muito posterior à origem do conceito de democracia.

Só que na era da informação, na velocidade da Internet, mesmo que no Brasil ela ainda esteja disponível para bem menos que 100 milhões de pessoas, a distância entre representantes e representados vai ficando cada vez mais óbvia, e a tendência dos partidos a virarem clubes de defesa de interesses de seus principais dirigentes e de seus financiadores diretos salta aos olhos. No caso brasileiro, ficou evidente que política do compadrio, do “toma lá da cá”, do qualquer custo para manter-se no poder, do vale tudo eleitoral, não era exclusividade dos “partidecos” de plantão para vender horário eleitoral e cavar cargos no governo, e nem de alguns grandes partidos formados com a lógica de apoiar governo e ser uma espécie de “faca no pescoço” de quem fosse eleito para gerir o Brasil, como o DEM e o PMDB.

A era da informação, com a Internet retirando a necessidade de intermediação dos políticos e/ou da imprensa entre a população e a vida cotidiana do Estado, mostrou que, mesmo que não integralmente, partidos com importância histórica no Brasil, como o PSDB e o PT, ou siglas de origem fortemente ideológica, como o PC do B, também tinham núcleos que atuavam para se autorrepresentar e para fazer valer a vontade única e exclusiva de seus principais dirigentes.

Uma dos exemplos mais evidentes desse distanciamento entre representantes e representados foi, sem dúvida, a votação do Novo Código Florestal Brasileiro, que flexibilizou as leis ambientais e que trará consequências desastrosas para o meio ambiente. Mais de 85% da população declarou-se claramente contrária às mudanças no Código Florestal, enquanto deputados e senadores, como se vivessem em um país separado, desconsiderando não apenas as consequências para o futuro do Brasil, como também dando as costas para a população que os elegeram, votaram em peso (mais de 80%) nas mudanças.

E não foi só o Código Florestal. Elegeram Renan Calheiros presidente do Senado, apesar do abaixo-assinado de 1,5 milhão de assinaturas, não prenderam condenados do Mensalão, não foi nem a julgamento o Mensalão do PSDB, colocaram na Comissão de Direitos Humanos uma pessoa que não tem nenhuma história de militância no setor, como também não demonstra compromisso algum com os direitos humanos. Isso no campo nacional. Nos estados e nas cidades isso também acontece de forma muito mais clara, mas menos disseminada por não ter a mesma capacidade de amplitude.

Exemplos há aos montes. No estado de São Paulo, ficou claro que vários deputados apresentam emendas e depois recebem uma parte de eventuais verbas que são destinadas aos municípios a partir dessas propostas. Um dos deputados, Bruno Covas, destes que recebem votos somente por ter o sobrenome de um político famoso, chegou a confirmar que foi procurado várias vezes para isso, mas depois, pressionado pelo partido, negou. Essa mesma assembleia usou todo tipo de manobra regimental para impedir uma CPI dos Pedágios, os quais que são extremamente caros no estado.

Em Belo Horizonte, vereadores concederam aumentos absurdos em seus próprios salários, mesmo diante de uma enorme mobilização popular contrária. O aumento depois foi vetado, e o vereador Leonardo Mattos, que fez a proposta de aumento, ainda teve a coragem de vir a público dizer que o “não aumento” era um “desrespeito à soberania do Legislativo”. Vereador, e a soberania popular? Em Mauá, o prefeito da cidade declarou em rede nacional que não via a necessidade de visitar o local em que três pessoas, em ocasiões diferentes, morreram devido a deslizamentos de terra. Na região Serrana do Rio, apesar de um esforço concentrado no início das tragédias das enchentes, prefeitos simplesmente desviaram para o próprio bolso recursos para iniciar a recuperação do local, e repetiram-se, em menores proporções, mas de forma igualmente trágica, os mesmos problemas nas chuvas do ano seguinte. Sem contar tantos outros desmandos em vários estados e cidades do Brasil.

E tudo acontecendo com a população se manifestando, ficando indignada, mas de uma forma diferente da participação tradicional, onde havia lideranças claras e facilmente identificadas. As pessoas postavam, compartilhavam, curtiam e comentavam, mas, fora alguns movimentos localizados, ficavam ali, nas redes sociais. Carlos Nepomuceno, talvez o principal pesquisador brasileiro sobre as novas tecnologias e suas relações com o Estado e as formas de participação, já apontava, há algum tempo, que a Internet muda a cognição, a forma de pensar das pessoas, e elas, não encontrando no Estado e na participação tradicional a facilidade de “serem escutadas” que encontram na rede, passam a não reconhecer no Governo, nos sindicatos e nos partidos algo que as represente.

O Google é uma forma clara de verificar essa relação entre o que acontece com a cognição das pessoas. Uma busca nessa ferramenta de pesquisa coloca nas primeiras posições os links mais interessantes, os que podem ser mais úteis para o que o usuário está procurando. E isso não é feito por uma pessoa que escolhe o que vem antes e o que vem depois. Logaritmos vão classificando tudo o que é publicado na rede, e é a utilização das páginas pelos usuários que determina o que sobe e o que desce de posição nos resultados de buscas feitas no site.

Mesmo que não percebamos isto, essa qualidade com que a rede se oferece, a possibilidade de influencia-la, a certeza de ser escutado, a rapidez com que tudo acontece, as possibilidades de conhecer os diversos lados, a praticidade de organizar-se pela diversidade de temas, entre outras coisas, cria novos modelos mentais. E o cidadão, agora com novos modelos mentais, não encontra lógica alguma nas antigas formas de representação e na estagnação do Estado e dos partidos diante da revolução comportamental provocada pela Internet.

Alguma hora tudo isso iria transbordar e ocupar as ruas. E esse movimento não era inexistente, nem deixa de existir, por não estar nas ruas. Já era real nas mentes e corações de boa parte da população, sair para o espaço público só deixou tais questões um pouco mais claras e assustou o mundo político. Se a manifestações não voltarem com a mesma força para as ruas, elas ainda assim existirão, com seus princípios e seus valores, na atuação e na militância “virtual”. Pode até não assustar da mesma forma os políticos, mas seu efeito será tanto ou mais avassalador para o que conhecemos hoje por partidos políticos.
E tudo culminou com milhões de pessoas nas ruas em junho. Três motivos, que podem não ser necessariamente os principais para que cada manifestante estivesse nas ruas, serviram para que, pelo menos, "saísse do Facebook":

O mais pragmático foi o aumento das tarifas de ônibus. É um motivo bastante simbólico, porque se sabe que no Brasil os empresários de ônibus financiam campanhas políticas de prefeitos e vereadores de forma ilegal, em troca de manter a concessão e os altos preços das tarifas. Não é à toa que a urbanista Raquel Rolnik declarou que "o governo tem que avançar no sentido do que pedem as ruas. Para isso, é preciso romper a aliança política com as concessionárias de ônibus".

O motivo mais no campo dos direitos individuais, e que são mais caros para as populações de maior renda e/ou escolaridade, foi a extrema violência com que a Polícia Militar tratou as manifestações. Vai demorar muito tempo para ser esquecida a quinta feira em que a PM paulista bateu indiscriminadamente em estudantes, jornalistas e demais pessoas presentes nos protestos. E foi além de bater. Prendeu dezenas de pessoas por motivos banais, como portar vinagre, lançou bombas e balas de borracha às centenas, machucando muito gente, fez, covardemente, cercos a grupos de manifestantes. A truculência da polícia não foi muito diferente da que é a realidade do dia a dia da periferia ou do que é o comportamento da PM em outras manifestações. 

Mas essa quinta feira tinha elementos que acabaram por indignar o país. Batiam e abusavam em uma região nobre da capital paulista, na maioria em pessoas de classe média, ousaram atacar vários membros da grande mídia e, além de milhares de vídeos correrem pela Internet, pela primeira vez a imensa maioria dos grandes veículos de comunicação resolveu fazer o que não dava mais para segurar: contar o que estava acontecendo, e relatar alguns dos vários requintes de crueldade do aparelho repressivo. Foi fatal – na outra semana, era muito maior o número de pessoas que estava nas ruas, em todo o Brasil, até mesmo em pequenas cidades do interior.

O terceiro motivo questionava uma decisão que o Governo acreditava que seria uma quase unanimidade no país e que daria votos e mais votos de dividendos: a Copa das Confederações. O Brasil debatia o estouro do orçamento para a construção de estádios superfaturados, o que parece ser regra para obras públicas nacionais, e se, com tantos problemas sociais, era mesmo prioritário investir nesses equipamentos.

Outras pautas apareceram, mas talvez o que unia todos os manifestantes era o fato de que estavam ali para garantir o direito de estar ali, e para deixar muito claro que, mesmo depois que voltassem para suas casas, queriam muito mais do Estado.

Os políticos e, sobretudo, a esquerda, ficaram espantados com tudo o que viram. “Mas tudo isto na rua sem a gente mexer ‘uma palha’?”. “Quem esta por trás disto?” Se não era a esquerda organizada, por meio de sindicatos e/ou partidos, então só podia ser um movimento conservador que estava enganando milhares de jovens, usando-os para dar um golpe (conforme defendeu parte da esquerda), os quais, ingênuos, achavam que tinham acordado enquanto ela nunca tinha dormido. Anos e anos torcendo para que a população tomasse as ruas, e quando ela toma, levam um susto e torcem para que voltem logo para casa.

É um equívoco sem tamanho achar que as manifestações de junho foram conservadoras, apesar de que houve uma minoria de pessoas de extrema direita nas passeatas e protestos. Manifestações por ampliação dos direitos, principalmente sociais, são, por regra, manifestações de esquerda e/ou progressistas. Não é por que a maioria das pessoas das ruas não se identificava com os partidos políticos que elas eram de direita. Podem muito bem ser de esquerda, pela ampliação dos direitos sociais e distribuição de renda, e não gostarem da forma com que se organizam os partidos. E nem precisam saberem-se de esquerda para serem de esquerda.

Pesquisas sobre o perfil dos manifestantes em São Paulo deixam isto muito claro. O instituto Datafolha mostrou que cerca de 90% dos manifestantes concordam que a democracia é a melhor forma de governo, enquanto no conjunto da cidade de São Paulo, esse número é próximo a 61%. A mesma pesquisa mostrou que a ampla maioria dos manifestantes declarava-se de centro ou de esquerda.

A própria pauta da tarifa zero para o transporte foi gestada pela esquerda, quando Luiza Erundina governou São Paulo. Não foi ideia de um bando de malucos sem compromisso com a responsabilidade. Ela tinha uma lógica muito clara: aumentar impostos sobre o patrimônio das populações mais ricas e usar o dinheiro para pagar os custos do transporte público. Acontece que boa parte da esquerda acalentou essa e outras propostas de avanço nos direitos sociais e depois simplesmente as abandonou. Talvez o ponto não seja discutir se os manifestantes eram ou não conservadores, mas se a esquerda ainda é tão esquerda assim.

O MPL (Movimento Passe Livre) acabou tendo uma enorme importância no sentido de colocar a tarifa zero como uma possibilidade de um direito fundamental, e um direito que, se for consolidado, ajuda na garantia de uma série de outros direitos, como o de ir e vir, o direito à cidade e o de acesso à saúde, cultura, educação, lazer, entre outros.

No campo dos direitos sociais, não podemos negar que o Brasil vinha alcançando um relativo avanço, mesmo que não seja na velocidade que alguns queriam. Aumentou-se a renda média das populações mais pobres, diminuiu o porcentual de pessoas na miséria e o desemprego, milhões passaram a integrar a nova classe média. Mas o Governo não entendeu que a população quer mais, que o Brasil pode mais, e contentou-se em dormir na cama onde fez sua fama.

Quando uma comunidade conquista água e esgoto, imediatamente ela passa a lutar pelo asfalto. Vem o asfalto e ela passa a lutar pelo ônibus. Vem o ônibus e ela passa a reivindicar que ele tenha melhor qualidade e que passe mais vezes por hora. E isso tudo é legitimo. Se outros têm, ela também pode ter.

Muitas pesquisas já indicavam que a maioria da população reconhecia como seu esforço pessoal os motivos de terem melhorado de vida. O Governo ainda custa a entender tal comportamento. Um das situações mais emblemáticas, durante junho, foi justamente as manifestações em dezenas de cidades do exterior. Parte significativa das pessoas que estavam nesses protestos eram beneficiárias do programa Ciências sem Fronteiras, que dá bolsas de estudos em países estrangeiros para estudantes do ensino superior. 

Teoricamente, todos deveriam estar muito felizes, pois nunca na história do Brasil tantas pessoas, de classes menos abastadas, puderam passar parte de suas vidas no exterior, estudando com gastos financiados pelo Governo. Mas eles também estavam nas ruas, demonstrando que queriam mais do país.

Um forte símbolo da insensibilidade das elites em relação ao que está acontecendo no Brasil ficou conhecido como "O Casamento da Dona Baratinha". A neta de Jacob Barata, principal empresário de ônibus do Rio de janeiro e alvo da ira de manifestantes da cidade, insistiu em promover a olhos públicos uma festa de 3 milhões de reais (1 milhão de passagens de ônibus) para mil pessoas no Copacabana Palace. O luxo e as colunas sociais parecem ter sido a prioridade de Dona Baratinha nesse casamento, pois quando reservou igreja, hotel e decorador, há dois anos do casamento, seu noivo era outro. Acabou-se o noivado, apareceu outro pretendente, outro noivado e tudo aconteceu do mesmo jeito e no mesmo dia planejado. E a noiva casou com o filho do principal empresário de transporte do Ceará.

O casamento teve ares de queda da Bastilha. Uma convidada declarou que sentia-se, não só ela, como várias outras pessoas, como Maria Antonieta pronta para, a qualquer momento, ser levada para a guilhotina. Enquanto manifestantes, na porta do Copa Palace, entoavam gritos de protestos, convidados passaram a jogar bem casados e aviõezinhos com notas de 20 reais. Não bastasse a provocação dos convidados, que pareciam não entender por que a população acha absurdo que empresários de ônibus que prestam serviços tão ruins esbanjem dinheiro retirado do suor do trabalho de milhões de pessoas, um convidado, provavelmente também da família Barata, tacou um cinzeiro e feriu gravemente um manifestante.

O Copacabana Palace não permitiu a entrada do ferido para ser atendido e medicado, e a partir daí, o pau correu solto. Os manifestantes indignaram-se ainda mais, tentaram entrar e até o BOPE foi chamado para reprimir o povo, que ousava atrapalhar a noite da elite carioca. Tudo isso na madrugada de 14 de julho, o mesmo dia da Revolução Francesa.

A elite econômica e a classe política não estão entendendo corretamente o cenário, e apenas trabalham para manter suas posições de comando no estado e nas relações com o estado. Em todo o Brasil, vemos medidas paliativas, como as votações apressadas do Congresso, que tem a função de manter os mesmos personagens no comando. Vão-se os anéis, ficam os dedos, é o que parecem pensar.

Não chega a ser um equívoco a maneira que a classe política tenta resolver as demandas de junho. Na verdade, são as únicas formas que ela consegue atuar: em alguns lugares fazendo concessões e, em outros, acusando os movimentos de rua. Não pode passar disso, porque os políticos não estão preparados para os novos modelos de participação que exigem as novas cognições que vieram com a Internet. O que tais modelos tentam mudar é um pouco do conteúdo da democracia. E o problema não é mais somente de conteúdo, é também de forma – Não, eles, e elas, não nos representam.

Se nossos sonhos não cabem nas urnas, fica a necessidade de termos urnas onde caibam os sonhos desta e das próximas gerações. E fica claro que tais urnas não podem ser as tradicionais, em que depositamos votos de 4 em 4 anos, como um cheque em branco que dá o direito de o eleito fazer o que quiser.

As novas urnas precisam entender as novas formas de cognição e de pensamento. Compreender que desejamos assinar o cheque (queremos decidir) junto sempre que acharmos conveniente, mesmo que façamos isso do sofá de casa, do local de trabalho ou durante o intervalo de uma aula. Uns vão participar de algumas decisões, outros de outras, e, alguns, de todas, mas o importante é sabermos que sempre que quisermos, poderemos decidir, sem sermos obrigados a participar de tudo e sem termos que, para isso nos filiarmos a organizações, partidos e suas burocracias e procedimentos. E quando não pudermos, outros não eleitos tradicionalmente estarão acompanhando e decidindo.

Sim, depois de junho tudo ficou muito complicado de explicar e de entender, e certamente está muito equivocado quem não tiver nenhuma dúvida agora, seja sobre o que for – a natureza dos movimentos recentes, as situações que ainda vão se originar a partir deles e quais são, afinal, todos esses sonhos que não cabem mais nas urnas.

Mateus Prado - Cursou Ciências Sociais e Gestão de Políticas Públicas na USP. É educador, especialista em ENEM, colunista de Educação do portal IG e presidente de honra do Instituto Henfil Educação e Sustentabilidade.

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