15.6.14

Ebolições democráticas

Nos últimos dias, da parte de alguns, tem-se criticado a polarização PT x PSDB na disputa presidencial e, obviamente, em determinados Estados da Federação. A essa circunstância, há quem se apresente como terceira via, como Eduardo Campos e Marina Silva (PSB-REDE), há também quem alce críticas à falta de uma outra opção, como é o caso de São Paulo. A questão é que o problema está dado, como então resolver essa equação?

Ora, as constantes nessa equação, petistas e tucanos, somente o são por conta da inabilidade de setores oposicionistas (especialmente os da esquerda) em alinhavar forças e elaborar juntos um projeto de país criativo o bastante para dar sequência às conquistas dos últimos anos.

Essa inabilidade, por sua vez, sinaliza para a decadência do sistema político vigente. Ele foi interessante, porém necessita ser atualizado. Torna-se a cada dia mais estagnado. As jornadas de junho de 2013 apontam para um diagnóstico de insatisfação da população em relação a esse formato. Os representantes eleitos não são vistos como tais já faz um bom tempo.

Assim sendo, se por um lado assistimos à crise de credibilidade das instituições políticas do país, por outro lado notamos sinais do amadurecimento da consciência política de nosso povo. Ao que tudo indica, estamos mais exigentes. Já não se vive mais de resmungos apenas, as pessoas vão às ruas, fazem greves, protestam pacífica e até agressivamente. São sinais do tempo...

Tempo de mudar a marcha, de desenvolver-nos na estrada que conduz a uma democracia madura, forte e estável. Como um carro que, devido à sua potência, dá claros sinais de que precisa avançar as marchas e deixar o velocímetro girar. Esse é o Brasil de hoje.

Toda essa energia, entretanto, precisa ser catalisada. Embora os agoureiros de plantão digam o contrário, o momento é bom. É hora de buscar sobriedade política, não se deslumbrar com propostas aventureiras e pleitear pela democratização da democracia. Para tanto, não me parece que as eleições sejam mais importantes que toda a movimentação popular vista nos últimos dias.

Os protestos, as greves, as múltiplas bandeiras levantadas nas ruas requerendo transformações incomodam alguns, que chegam a dizer que lugar de protesto é na urna. Apesar desses “alguns”, uma boa parcela da população, mais consciente de que democracia é sinônimo de população atuante (em todo tempo, não só durante as eleições), compreende que não é hora de se aquietar. Ao contrário, notamos que o povo nas ruas movimenta as pesadas estruturas do poder.

Povo nas ruas, povo diante das urnas, povo em debate por meio de agrupamentos e movimentos sociais, pensando a cada dia como desenvolver a nossa jovem (e talvez ainda frágil) democracia. Em breve teremos o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva, com a proposta de alteração de nosso sistema político. Valer-nos-emos de um mecanismo constitucional a fim de alçar ao cenário nacional um debate oportuno. Aliás, um debate necessário. Um debate oportunamente necessário!

Num ano de Copa do Mundo, protestos e eleições, o Brasil segue avante. Entre ufanismos infantis e mórbidos pessimismos, nossa locomotiva não para e dá sinais de que pode aumentar ainda mais sua velocidade.

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